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História do Campo Treblinka

Última atualização 16 de dezembro de 2006

Este texto está decorado com figuras de esculturas em bronze, criadas pelo sobrevivente Samuel Willenberg.





Aerial View
Vista Aérea
O campo da morte em Treblinka localizava-se na região nordeste do Generalgouvernement. O campo foi erguido numa área pouco povoada próxima a Malkinia Gorna, uma junção na linha ferroviária Varsóvia- Bialystok, 4 km a noroeste do vilarejo de Treblinka e sua parada, e cerca de três quilômetros a nor-noroeste do vilarejo de Wolka Okraglik.
O local escolhido era de floresta densa e bem escondido do público. Em 1941, um campo penal conhecido como Treblinka I foi estabelecido nas proximidades. Poloneses e judeus eram aprisionados neste campo penal, trabalhando em pedreiras, das quais eles extraíam materiais usados na construção das fortificações da fronteira germano-soviética.

Letter from Eberl, 1st Camp Commander
Carta de Eberl, 1° Comandante do Campo
O campo de extermínio foi estabelecido como parte da Aktion Reinhard; o trabalho começou no final de Maio / início de Junho de 1942. Os contratantes eram as firmas de construção alemãs Schönbronn (Leipzig) e Schmidt-Münstermann. O arame farpado foi entregue pela Deutsche Seil- und Drahtfabrik (Freiberg, na Saxônia) [carta // romaneio de carga].
Treblinka estava pronta para receber transportes a partir de 22 de Julho de 1942. Judeus de Warsóvia e cidades vizinhas, assim como internos de Treblinka I, eram usados para completar a construção. O encarregado do trabalho de construção era o SS Hauptsturmführer Richard Thomalla, o especialista de construção da Aktion Reinhard. Rudolf Höss, comandante de Auschwitz, visitou Treblinka na primavera de 1942.

A testemunha Lucjan Puchala relembra:
"No início, nós não conhecíamos o propósito de se construir a linha ramal, e foi só no final do trabalho que eu descobri, através de conversas entre os alemães, que a linha era para levar a um campo para judeus. O trabalho levou 2 semanas, e foi terminado em 15 de junho de 1942. Paralelamente à construção da linha, as escavações continuaram.
Os homens da SS e os ucranianos que supervisionavam o trabalho matavam algumas dúzias de pessoas todos os dias. Em conseqüência disso, quando eu olhei do local de onde eu trabalhava para o local onde os judeus trabalhavam, o campo estava coberto com cadáveres. Os trabalhadores importados eram usados para escavar valas profundas e construir vários alojamentos. Em particular, eu sabia que um edifício foi construído de tijolos e concreto e que, como fiquei sabendo depois, continha pessoas – câmaras de extermínio.
"

The Platform
A Plataforma
O primeiro comandante do campo foi o austríaco SS-Obersturmführer Irmfried Eberl que havia servido em Bernburg, um dos seis centros de extermínio de eutanásia. Em Agosto de 1942 ele foi substituído pelo SS-Obersturmführer Franz Stangl, o ex-comandante do campo da morte de Sobibor. Entre 20 e 30 homens da SS alemães e austríacos (a maioria dos quais haviam servido no programa de eutanásia) foram auxiliados por 90 a 120 guardas ucranianos. Alguns dos ucranianos recebiam outras tarefas, incluindo a operação das câmaras de gás. Entre estes, estavam os infames Ivan Marchenko e o pouco conhecido Nikolay Shaleyev. A maioria dos ucranianos eram prisioneiros de guerra soviéticos, que haviam se oferecido para servir voluntariamente aos alemães e haviam sido alistados e treinados para suas tarefas no campo de Trawniki. Alguns deles eram de origem alemã, os chamados Volksdeutsche, que eram indicados como comandantes-em-chefe de pelotão ou de esquadrão.

Entre 700 e 1.000 prisioneiros judeus efetuavam o trabalho braçal, incluindo trabalho que era parte do processo de extermínio. Além disso, eles atendiam às necessidades pessoais dos quadros da SS. Grupos de especialistas judeus eram empregados no trabalho de construção, o que continuou mesmo durante as atividades de extermínio. Prisioneiros eram também empregados para cortar galhos de pinheiros para usá-los na camuflagem para as cercas de arame farpado. Os prisioneiros eram selecionados para trabalhar vindos dos transportes que chegavam. Depois de alguns dias eles eram mortos, e substituídos por recém chegados. Em Setembro de 1942, Stangl introduziu um comando permanente de prisioneiros judeus. Alguns tinham que descarregar os vagões ("Comando de Estação"), outros trabalhavam no "Bloco de Despir", no "Bloco de Classificação", nas câmaras de gás e nas sepulturas em massa.

No Natal de 1942, Stangl ordenou a construção de uma estação ferroviária falsa: Um relógio com números pintados indicando permanentemente 6 horas, janelas de guichês e vários quadros de horários e setas (incluindo alguns indicando conexões “Para Varsóvia", "Para Wolkowice" e "Para Bialystok"), foram pintadas na fachada dos alojamentos de classificação. O propósito disto era enganar as vítimas que chegavam, para que acreditassem que elas tinham chegado na verdade num campo de trânsito. Para tornar os quartéis da SS o mais agradáveis quanto possível, um zoológico e uma taverna também foram construídos.

Além das estruturas do campo, um ramal ferroviário foi criado, levando desde o campo da estação ferroviária próxima, chefiada pelo mestre de estação Franciszek Zabecki. Enormes valas, para serem usadas como sepulturas em massa, foram escavadas dentro do campo.
O campo era disposto num retângulo irregular de 400 m de largura por 600 m de comprimento, cercado por uma cerca de arame farpado com galhos de árvores intercalados, para bloquear qualquer visão do exterior. Uma segunda cerca externa que consistia de arame farpado e obstáculos anti-tanque (“Cavalos Espanhóis”) também foram construídos num estágio posterior. Torres de vigia (8 m de altura) foram colocadas em cada uma das extremidades do campo, e torres adicionais foram construídas na área de extermínio.
O campo era dividido em três zonas de tamanho aproximadamente igual; a área de convivência SS e ucraniana, a área de recepção (Auffanglager) e a área de extermínio (Totenlager). As áreas de convivência e recepção eram chamadas de "Campo Baixo", enquanto a área de extermínio era conhecida como o "Campo Alto".
A área de convivência estava na seção noroeste do campo. Ela compreendia os quartéis da SS alemã e do pessoal ucraniano, assim como outros prédios da administração, que incluíam escritórios, uma enfermaria, lojas e oficinas. O portão de entrada para o campo ficava na seção noroeste, próximo da ferrovia. Um portão mais elaborado foi construído depois, consistindo de dois pilares de madeira, cada um decorado com uma flor de metal e coroado com um pequeno teto que repousava sobre os pilares. À noite, refletores iluminavam a entrada. Ucranianos e homens da SS ficavam a postos no portão e na casa dos guardas. Na entrada, numa placa lia-se: "SS Sonderkommando Treblinka".

Disabled Man
Homem Incapacitado
Uma área quadrada de 100 x 100 m era separada do resto do campo por uma cerca de arame farpado. Ela continha três alojamentos em forma de “U”. Ali, os prisioneiros judeus que trabalhavam no “Campo Baixo” passavam suas noites. No lado mais distante da área de chamada desta seção ficava a latrina, coberta por um teto de palha.
Os transportes chegavam na área de recepção na seção sudoeste do campo. Esta área incluía a trilha ferroviária e a plataforma da estação com a rampa (200 m) e o prédio da estação de trem falsa. Na entrada da ferrovia ficava um portão de madeira envolto em arame farpado intercalado com galhos de árvores.
O Lazarett, um pequeno local de execução, também ficava na área de recepção. Aqueles muito doentes ou muito fracos para continuar até as câmaras de gás, juntos com crianças desacompanhadas e aqueles que haviam sido feridos no caminho, eram levados para uma área cercada com uma pequena construção de madeira, na qual tremulava uma bandeira da Cruz Vermelha. Depois de despirem-se na “sala de espera”, eles eram executados com tiro no pescoço e jogados dentro de uma vala onde um fogo que queimava constantemente. Junto à rampa havia dois grandes alojamentos onde os pertences das vítimas eram separados e armazenados. Ao norte desses armazéns ficava a “Quadra da Estação”. A leste desta estação ficava uma área cercada chamada de “Quadra de Despir” (Entkleidungsplatz). Neste local, os homens eram separados das mulheres e crianças. Dois grandes alojamentos situavam-se ali: o alojamento norte, utilizado por mulheres para se despirem e para cortar seus cabelos, e o alojamento sul, usado na fase inicial da existência do campo, como dormitório de prisioneiros homens. Este último alojamento foi usado depois como depósito de mantimentos. As vítimas homens se despiam ao ar livre entre os alojamentos.

Insane Girl
Menina Insana
A área de extermínio (aproximadamente 200 x 250 m) onde as execuções em massa eram efetuadas, ficava na parte sudeste do campo. Esta área ficava completamente isolada do resto do campo por uma cerca de arame farpado camuflada com galhos de árvores, assim como por altos montes de terra, todos os quais preveniam contra a observação externa. As câmaras de gás localizavam-se dentro da área de extermínio num prédio comprido de tijolos. Durante a fase inicial do campo, havia três câmaras de gás, similares às primeiras câmaras de gás construídas em Sobibor. Uma sala conectada a uma construção contendo um motor, que introduzia o gás monóxido de carbono venenoso através de canos para dentro das câmaras. Ela também continha um gerador que fornecia a eletricidade para o campo inteiro.

Carrying Corpses
Carregando Cadáveres
A leste das câmaras de gás e próximas a elas, havia grandes valas para enterrar os cadáveres. Um número indefinido de valas tinham aproximadamente 50 m de comprimento, 25 m de largura e 10 m de profundidade. Elas foram escavadas por uma escavadeira comprada da pedreira no campo de trabalho de Treblinka I. Inicialmente, os corpos eram trazidos das câmaras de gás para as valas por carroças empurradas pelo Sonderkommando em trilhos de bitola estreita. Entretanto, este sistema provou ser pouco prático, e foi substituído pelo carregamento de cadáveres em macas.
A sudeste das câmaras de gás, dois alojamentos combinados, fechados por uma cerca de arame farpado, foram erguidas pelo Sonderkommando, Os alojamentos incluíam uma cozinha, um banheiro e depois uma lavanderia. Uma torre de vigia e uma guarita construída no centro da área de extermínio.

Schuhe runter!
Schuhe runter!
A "Quadra de Despir " no "Campo Baixo" era conectado à área de exterminio pelo “Tubo”. Este caminho, de 80 a 90 m de comprimento e aproximadamente 4 m de largura, era fechado com cercas de arame farpado camufladas, de 2 m de altura. Os alemães o chamavam de Himmelfahrtstraße ("A Estrada Para o Paraíso"). Ela começava atrás do alojamento de vestiário das mulheres, e continuava a leste e então a sul para as câmaras de gás. Os judeus nus eram conduzidos por este caminho para o prédio contendo as câmaras de gás.

Os trens de deportação que chegavam consistiam geralmente de 50 a 60 vagões de gado, contendo de seis a sete mil pessoas no total. Depois de passarem pela junção Malkinia Gorna, os trens cruzavam o rio Bug e chegavam a uma parada na estação do vilarejo de Treblinka.
Cada transporte dividia-se em seções de vinte vagões, que eram empurrados por uma locomotiva sobre a lateral que levava ao campo. Os vagões restantes esperavam na estação. À medida que cada seção do transporte estava prestes a entrar no campo, ucranianos e homens da SS tomavam posições na plataforma da ferrovia do campo e na área de recepção. Quando os vagões paravam, as portas eram abertas de uma vez pelo “Comando da Estação” (Kommando Blau) e os homens da SS mandavam os judeus saírem dos vagões.
Oscar Strawczynski:
"Nós corríamos para fora o mais rápido que podíamos, para evitar os golpes das chicotadas, e nos encontrávamos numa plataforma comprida e estreita, cheia de pessoas até o limite da sua capacidade. Todos rostos familiares – vizinhos e conhecidos. A poeira era tão grande, ela obscurecia a luz do sol. O cheiro de carne queimada sufocava a respiração. Sem saber de nada, eu dei uma olhada nas montanhas de roupas, sapatos, roupas de cama e todo o tipo de utensílios que podiam ser vistos além da cerca. Mas não havia tempo para pensar... A densa massa de pessoas é empurrada e conduzida através de um portão..."

Um oficial da SS então anunciava aos recém-chegados que eles tinham chegado a um campo de trânsito a partir do qual eles seriam enviados para vários campos de trabalho, mas que primeiro eles teriam que tomar um banho por razões higiênicas, e ter suas roupas desinfetadas. Qualquer dinheiro e valores que estivessem em posse deles deveriam ser entregues para serem guardados, e lhes seriam devolvidos depois que eles tivessem tomado banho. Depois deste anúncio, os judeus eram mandados para a “Quadra de Deportação”.

Scheissmeister
Scheißmeister
Na entrada da “Quadra de Despir”, os homens eram mandados à direita para se despirem, e as mulheres e crianças à esquerda. Supervisionados pelo “Comando Vermelho”, isto tinha que ser feito a passos rápidos, e era acompanhado por gritos e espancamentos dos guardas. A partir do outono de 1942, o cabelo das mulheres era cortado atrás de uma partição no final do alojamento de despir. Depois, as vítimas nuas entravam no “tubo” que levava às câmaras de gás. Algumas fontes sugerem que as mulheres e crianças eram gaseadas primeiro, enquanto os homens nus tinham que esperar na “Quadra de Despir”. Outras fontes propõem que os homens eram gaseados primeiro. É possível que o primeiro grupo a ser gaseado dependia da natureza do transporte.
Oscar Strawczynski:
"Mas ali, naquela desesperadora Quadra de Transporte, não há tempo para lágrimas ou sentimentalismo. Eu mal tenho tempo para entregar à minha esposa o cobertor cuidadosamente escondido para as crianças. Uma mão brutal agarra meu ombro e eu sou jogado para o outro lado da Quadra. Eu consigo ficar com meu pai gentil. O local está lotado de pessoas. De um lado estão mulheres com crianças pequenas, e no lado oposto, homens, forçados a se ajoelhar. No meio, há os homens da SS, ucranianos com armas em suas mãos, além de um grupo de cerca de quarenta homens com braçadeiras vermelhas. Estes são judeus – o destacamento dos “Vermelhos”. Na gíria de Treblinka, eles são chamados de "Chevra Kedisha" (Sociedade dos Rituais Finais”).
O mais importante entre todos na Quadra é um oficial alemão, um homem corpulento com uma barba curta, montado num lindo cavalo marrom. Ele se move soberbamente sobre seu cavalo, no meio da Quadra. Num certo ponto, ele se volta em direção aos homens de joelhos, e grita: "Artesãos, fora!" Um certo número de pessoas deixa o local. A maioria deles, entretanto, é mandada de volta. Apenas alguns ficam em pé ao lado, onde um homem da SS faz uma seleção adicional, e agrupa os homens restantes em grupos de três. Eu estou ajoelhado diante do meu pai. Minha mente está completamente vazia. Nenhuma emoção, nenhum pensamento. Eu nem mesmo digo uma única palavra ao meu pai.
"

Depois que as vítimas são trancadas nas câmaras de gás, os motores são ligados e o monóxido de carbono é bombeado para dentro. Dentro de 20 a 30 minutos, todas as vítimas estavam mortas.
Seus corpos eram removidos das câmaras de gás e levados paras as valas de sepultamento e cremação. Na fase inicial, uma seção de vinte vagões contendo de 2.000 a 3.000 pessoas podia ser liquidada dentro de 3 a 4 horas. Depois, os alemães “ganharam experiência” e reduziram a duração do processo de matança para uma hora e meia.
Mesmo enquanto o primeiro lote de judeus estava sendo assassinado, os vagões da ferrovia nos quais eles tinham sido transportados eram limpos. Cerca de 50 prisioneiros efetuavam esta tarefa. Então os vagões eram empurrados para fora do campo para do campo para deixar espaço para a próxima seção, com sua carga humana.

Young Girl
Menina
Naked Women
Mulheres Nuas
Naquela época, um outro time de aproximadamente 50 prisioneiros coletava as roupas e bens que haviam sido retidos no "Bloco de Despir", e transferiram-nos para o "Bloco de Classificação". Aqui, um "Comando de Classificação" procurava nos pertences por dinheiro ou valores, e classificava as roupas. Este comando também era responsável por remover as estrelas judaicas das roupas, e destruir cartões de identificação e outros documentos que os alemães consideravam sem valor. Uma vez classificados, os pertences da vítima eram encaminhados para os depósitos SS em Lublin.
Entre 200 e 300 prisioneiros, o "Comando Especial " (Sonderkommando), era empregado na área de extermínio em tarefas tais como a remoção de cadáveres das câmaras de gás, limpeza das câmaras, extração dos dentes de ouro das vítimas e enterro dos corpos. A partir do inverno de 1942/43 os cadáveres eram cremados pelo Sonderkommando, em vez de serem enterrados.

Collecting Bottles
Recolhendo Garrafas
Sorting Valuables
Separando Valores
Como em Belzec e Sobibor, os alemães logo perceberam que o número de câmaras de gás era inadequado para lidar com o volume de judeus a serem transportados para o extermínio.
Portanto, entre o início de Setembro 1942 e o início de Outubro 1942, eles decidiram construir as "Novas Câmaras de Gás" com dez salas e execução.
A fim de obter os tijolos necessários para a construção das novas câmaras de gás, a velha fábrica de vidro de Malkinia foi demolida pelo especialista de construção do campo, Erwin Lambert.

Heinrich Arthur Matthes era o chefe do "Campo de Cima", auxiliado por Gustav Münzberger, Fritz Schmidt e os Ucranianos Marchenko e Shaleyev.

The Orchestra
A Orquestra
O programa de extermínio em Treblinka começou em 23 de Julho de 1942. Os primeiros transportes vieram do Gueto de Varsóvia. Em 21 de Setembro de 1942, 254.000 judeus do Gueto de Varsóvia e 112.000 de outros lugares do distrito de Varsóvia haviam sido assassinados em Treblinka. Entre as vítimas estava Janusz Korczak, o famoso diretor do orfanato de Varsóvia.
No inverno de 1942 - 43, 337.000 judeus do distrito de Radom haviam sido mortos, assim como 35.000 do distrito de Lublin. No total, cerca de 738.000 judeus do Generalgouvernement e mais de 107.000 do distrito de Bialystok foram massacrados entre Julho de 1942 e Abril de 1943, sempre acompanhados pela orquestra do campo.
Judeus de fora da Polônia também pereceram em Treblinka: 7.000 Jews da Eslováquia, (que haviam sido primeiro deportados para guetos no Generalgouvernement) foram mortos no verão e outono de 1942. Entre 5 de Outubro e 25 de Outubro de 1942, cinco transportes trouxeram 8.000 judeus de Terezin (Theresienstadt). Da Grécia, mais de 4.000 judeus (que haviam sido primeiro deportados de suas casas da Trácia, para a Bulgária) chegaram na segunda metade de Março de 1943. 7.000 judeus macedônios foram assassinados entre Março de 1943 e Abril de 1943. No mínimo, um transporte de 2.800 judeus foi despachado de Salonika no final de Março de 1943. 2.000 romenos também foram assassinados em Treblinka.
O programa de extermínio continuou até Abril de 1943, depois do que apenas alguns transportes isolados chegaram.

Depois da visita do Reichsführer SS Heinrich Himmler a Treblinka no final de Fevereiro ou início de Março de 1943, foi emitida uma ordem para cremar os corpos. As sepulturas em massa foram abertas e os corpos exumados e queimados em enormes grelhas de cremação, construídas a partir de trilhos de trem ("Aktion 1005").

The Painter
O Pintor
Durante a primavera de 1943, uma feroz epidemia de tifo devastou os prisioneiros judeus. Centenas deles foram executados no Lazarett por August Miete e Willi Mentz.

Houve várias tentativas individuais para resistir; por exemplo, o assassinato do SS Max Biala por Meir Berliner em 11 de Setembro de 1942, mas não foi antes dos primeiros meses de 1943 que um grupo de resistência foi formado. Este grupo incluía Galewski, Dr. Julian Chorazycki, Zelo Bloch, Zvi Kurland, Rudolf Mazarek e Dr. Leichert. Nem todos do grupo sobreviveram ao levante; muitos iriam morrer heroicamente.

Revolt
Revolta
Quando a cremação dos corpos estava chegando perto do fim, e estava claro que o campo e os prisioneiros estavam prestes a serem liquidados, os líderes do movimento de resistência resolveram que o levante não poderia mais ser postergado. Uma data e hora foi fixada – 17:00 em 2 de Agosto de 1943.
Inicialmente, o levante ocorreu de acordo com o plano. Com uma cópia da chave, o arsenal foi aberto. Armas foram removidas e entregues aos membros da resistência.
Pouco antes do momento programado para o levante, alguns dos homens da SS haviam decidido se banhar no vizinho Rio Bug, dessa forma enfraquecendo a guarnição. Por causa disso, e para assegurar que o levante não tinha sido comprometido, os rebeldes não tiveram opção senão iniciar a revolta mais cedo que o planejado. Os rebeldes que possuíam armas roubadas abriram fogo nos guardas do campo. O posto de gasolina explodiu e os alojamentos de madeira foram incendiados. As câmaras de gás não foram danificadas. Uma massa de prisioneiros agora tantava romper as cercas na tentativa de escapar do campo. Eles foram alvejados pelos guardas das torres de vigia. A maioria daqueles que tentavam escapar foram alvejados enquanto ficavam enroscados no arame farpado que ficava entrelaçado com as armadilhas anti-tanque.

Escape
Fuga
Aqueles que escaparam foram perseguidos pela polícia local e forças de segurança, incluindo guardas de Treblinka I. 1.000 internos ainda estavam vivos quando ocorreu o levante de 2 de Agosto de 1943. Destes, somente 200 conseguiram escapara. Cerca de 60 dos fugitivos ainda estavam vivos no final da guerra para contar ao mundo os horrores de Treblinka.
Um certo número de sobreviventes testemunhou nos julgamentos pós-guerra de Josef Hirtreiter nos anos 1950. O julgamento principal dos homens da SS de Treblinka ocorreu em 1964/65; o julgamento do comandante Franz Stangl foi em 1970.
Dos prisioneiros que permaneceram no campo depois do levante, alguns foram assassinados no local. O resto foi forçado a demolir as estruturas e eliminar os traços das atividades homicidas do campo.
Como as câmaras de gás ainda funcionavam depois da revolta, as últimas vítimas foram gaseadas em 21 August 1943. Estes foram os transportes de Bialystok e tinham os números PJ 207 e PJ 208.

After the War
Depois da Guerra
Quando este gaseamento final foi completado, a área do campo foi revolvida e árvores foram plantadas. O campo se tornou uma fazenda. Um guarda ucraniano, chamado Streibel, foi assentado ali, a fim de dar a impressão de que nada inapropriado havia acontecido no local do campo, e para prevenir a população local de desenterrar quaisquer objetos de valor. Depois que ele deixou o campo, a população local desceu até o local, procurando por ouro e outros objetos de valor. Ao fazer isso, eles desenterraram partes de corpos em decomposição.
Os prisioneiros judeus restantes, que haviam sido forçados a desmantelar o campo, foram transferidos para o campo de morte de Sobibor em 20 de Outubro de 1943, através de Siedlce e Chelm.
Em 17 de Novembro de 1943, o último transporte partiu, carregando equipamentos do campo. Partes dos alojamentos foram enviados para o Campo de Trabalhos Forçados de Dorohucza próximo a Trawniki.
Estima-se que, no mínimo, entre 700.000 e 800.000 judeus perderam suas vidas em Treblinka. Pesquisas mais recentes sugerem um número igual ou maior que 800.000.

Wladyslaw Szlengel: Treblinka

Mapa: Sir Martin Gilbert

Fontes:
Encyclopaedia of The Holocaust
Arad: Belzec, Sobibor and Treblinka
Hilberg: Sonderzüge nach Auschwitz
Donat: The Death Camp Treblinka
Sereny: Into that Darkness
Willenberg: Surviving Treblinka

© ARC 2006